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Protesto contra pacote laboral. "Está aqui a voz de quem trabalha", diz secretário-geral da CGTP

Protesto contra pacote laboral. "Está aqui a voz de quem trabalha", diz secretário-geral da CGTP

O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, insurgiu-se novamente contra o pacote laboral que volta a ser debatido em sede de Concertação Social, esta sexta-feira.

RTP /
A manifestação organizada pela CGTP contra o pacote laboral proposto pelo governo, marchou nas ruas de Lisboa, sexta-feira 17 de abril 2026 Foto: António Cotrim - Lusa

Durante a manifestação de protesto, promovida pela  intersindical sob o mote "Abaixo o pacote laboral! Aumentar salários!", o dirigente alegou que, depois de todas as reuniões, o essencial das intenções do executivo de Luís Montenegro se mantém, num rumo de aumento da precariedade.

"Continuamos a ter, neste pacote laboral, a possibilidade de um trabalhador que entra agora para o mercado de trabalho, estar a sua vida inteira contributiva sempre numa situação de precariedade", referiu aos jornalistas, antes ainda da marcha começar.
 
A "desregulação dos horários de trabalho", o "banco de horas individual, que são 150 horas de trabalho extraordinário de graça para os patrões", o "ataque à contratação coletiva", o "impedimento dos sindicatos entrarem no local de trabalho", são outros exemplos do que está incluído na legislação em debate e que "está a ser combatido pelos trabalhadores", explicou Tiago Oliveira. Referindo-se ao protesto desta tarde, que termina junto às escadarias do Parlamento, o secretário-geral da CGTP disse que "está aqui mais uma vez, a voz de quem trabalha, na rua". "Era bom que o governo se apercebesse disso", acrescentou.

Já durante a manifestação, Tiago Oliveira considerou-a "uma grande manifestação de força, uma grande demonstração de unidade, uma grande demonstração de acreditar que outro rumo é possível".

Esta sexta-feira, enquanto decorre mais uma reunião da Concertação Social, a participação no protesto é sinal do que "estão a dizer os trabalhadores", acrescentou.

"Rejeitamos o pacote laboral, exigimos a retirada do pacote laboral" por parte do governo, "pois só assim os trabalhadores vêm uma perspetiva diferente para as suas vidas, que não seja um profundo retrocesso que traz este pacote laboral ao mundo do trabalho", disse Tiago Oliveira, em declarações à RTP.

Este é "um governo que não responde à maioria, que são os trabalhadores", acusou. "Um governo que vive numa bolha" e que está a "gerir para os mesmos de sempre". Por isso "estamos aqui a combater".

O protesto da CGTP coincide com mais uma reunião da Concertação Social, na qual a Intersindical não participa.

Tiago Oliveira frisou que a CGTP nunca deixou de participar nas discussões mas foi "retirada" do processo pelo Governo. "Não quer reunir com a CGTP porque não quer ouvir as propostas do trabalhadores, mas antes as propostas dos patões", justificou.

"Os trabalhadores têm propostas e nós queremos que elas sejam discutidas", acrescentou, assumindo-se como porta-voz único na defesa dos interesses destes.

José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, juntou-se à manifestação e, à RTP, disse que, depois da CGTP ter sido excluída das negociações, "está claro desde o princípio que o Governo não está interessado em negociar o que é verdadeiramente importante".

O secretário-geral do PCP também se juntou à manifestação, defendendo que “precisamos é de mais salários e não de medidas como o banco de horas individual, que na prática o que faz é aumentar o número de horas e receber menos”.

Paulo Raimundo considerou a manifestação de hoje “uma grande demonstração de força” perante a qual “o Governo não pode ficar indiferente”, caso contrário “terá de assumir responsabilidades”.

“O Governo está a tentar impor pela janela aquilo que não conseguiu pela porta”, disse ainda o comunista.
"Contratação sim, caducidade não"
Milhares de pessoas manifestam-se esta sexta-feira em Lisboa contra o pacote laboral. Pelas 14h30, o protesto da CGTP arrancou do Saldanha em direção à Assembleia da República.

Pelo caminho gritaram-se palavras de ordem: "Contratação sim, caducidade não" e "salários de miséria, rendas a subir, o povo não aguenta, está na hora de agir".
Na quinta-feira, à saída da reunião de Concertação Social, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, indicou que o encontro serviu para "partilhar com todos os parceiros sociais a última versão" da proposta de revisão de legislação laboral, numa alusão ao facto de a CGTP ter apenas a versão inicial do anteprojeto, apresentada em 24 de julho de 2025.

No mesmo dia, a CGTP denunciou um "simulacro" de negociação, indicando que a ministra esteve reunida com o líderes patronais e a UGT antes da reunião de Concertação Social começar, deixando a central sindical de fora.

c/ Lusa
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